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Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus. Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus. 

Dom Zenildo: CEAMA, “um novo modelo de articulação das forças eclesiaisâ€

De 17 a 20 de agosto de 2025 quase 90 bispos da Pan-amazônia, representando 70 por cento das circunscrições eclesiásticas da região, se reuniram na sede do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM), em Bogotá. O primeiro encontro depois do Sínodo para a ´¡³¾²¹³úô²Ô¾±²¹, realizado em outubro de 2019. Eles foram convocados pela Conferência Eclesial da ´¡³¾²¹³úô²Ô¾±²¹ (CEAMA), um dos frutos desse sínodo.

Padre Modino - Manaus

O vice-presidente da CEAMA, dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus avalia o momento vivido dizendo que “para alguns de nós foi uma experiência de reencontro, para boa parte foi experiência de um primeiro encontroâ€, dado que em todos os bispos atuais participaram do Sínodo para a Amazônia. Um encontro que teve como eixos principais a sinodalidade e a Conferência Eclesial da Amazônia como ferramenta para o exercício desta sinodalidade, segundo o bispo. Ele insiste em que “o objetivo muito específico era aproximar as igrejas locais, dioceses, prelazias, os vicariatos apostólicos da nossa Pan-Amazônia, desta realidade que é a Conferência Eclesial da Amazôniaâ€.

O vice-presidente da CEAMA destaca o desejo de “alcançar a compreensão e alcançar o coração do episcopadoâ€, uma iniciativa que ele disse ter se alcançado com êxito. Até o ponto de afirmar que “o envolvimento dos bispos foi surpreendente, a adesão dos bispos ao encontro foi muito positiva. E, sobretudo, a gente perceber, a partir de dinâmicas de escuta nos processos de trabalho de grupo, o quanto as igrejas locais da Amazônia têm se esforçado para implementar processos de sinodalidade, seja a partir do Sínodo da Amazônia e seja a partir do recente Sínodo sobre a Sinodalidadeâ€.

Participantes do encontro
Participantes do encontro

A sinodalidade está viva

Dom Zenildo Lima sublinha que “a sinodalidade está viva, é uma realidade nas nossas igrejas, e perceber que o Sínodo da Amazônia está vivo, é uma realidade nas nossas igrejas também.†Nessa perspectiva, ele destaca que “os bispos apresentaram algumas pautas que consideram muito importantes para que a gente possa enfrentá-las como comunhão do episcopado, mas sobretudo como comunhão das igrejas da Pan-Amazônia, capitaneadas por uma conferência eclesialâ€.

Seu vice-presidente reconhece que “evidentemente ainda teremos que ter cada vez mais lucidez sobre a identidade desta conferência eclesial, sobre a estruturação, a composição desta conferência eclesial, sobre a regulamentação desta conferência e sobre o modo como ela consegue sustentar e apresentar a proposta de caminho de sinodalidade para as nossas igrejas.†Mas em geral, ele afirma que “a avaliação é muito positiva. Acho que alcançamos este objetivo de propor ao episcopado da Pan-Amazônia a proposta, o modelo de uma conferência eclesial como um caminho de desdobramento, seja para o Sínodo da Amazônia, como também para o Sínodo da Sinodalidadeâ€.

Missa conclusiva dos trabalhos
Missa conclusiva dos trabalhos

Os aportes da CEAMA

Sobre os aportes da CEAMA, que o Relatório de Síntese da Primeira Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade reconhece como exemplo de sinodalidade, o bispo mostra sua surpresa dado que no aparece na Fase de Implementação do Sínodo. Isso porque “o Sínodo sobre a Sinodalidade está buscando aquelas conversões das relações, dos processos. dos vínculos e das dinâmicas de formação em torno da sinodalidadeâ€, afirma. Nesse sentido, ele enfatiza que “no que diz respeito a esta conversão dos processos e ao apresentar a conversão dos processos e do modo como nós tomamos as decisões, como nós agimos com transparência em relação à realização destas decisões, a CEAMA se apresenta como uma grande oportunidade de um novo modelo de articulação das forças eclesiaisâ€.

Mesmo com os diversos organismos de participação existentes, desde as conferências episcopais até os diversos conselhos de participação, em âmbito das igrejas locais ou mesmo das paróquias ou das comunidades eclesiais, o bispo afirma que “agora pensar um modelo novo que considera novos sujeitos, o que não compromete toda a estrutura hierárquica da Igreja, é uma possibilidade iluminadora.†Nessa perspectiva, a CEAMA aponta que “a nível de Igreja, nossas decisões, nossos processos missionários, nossos processos de consolidação da evangelização, podem ser feitos a partir de diferentes sujeitos, inclusive com tomada de decisõesâ€.

Reticências a processos de sinodalidade

Diante das reticências e questionamentos com relação à CEAMA e sua estrutura, seu vice-presidente vê isso como “uma reticência ou um questionamento a processos de sinodalidade, uma insegurança diante dos processos de sinodalidade e das mudanças que esses processos implicam na vida da Igreja.†Um receio à sinodalidade que segundo dom Zenildo Lima “pode ter a ver com o receio de perda de poderâ€, refletindo que “a questão do poder é a questão da anomalia que atrofia a identidade da estrutura hierárquica da Igreja. Ou seja, o que sustenta a estrutura hierárquica da Igreja não é uma concepção de poder. O que sustenta esse dinamismo necessário e hierárquico da Igreja é como ela articula melhor os seus serviços evangelizadoresâ€.

Uma realidade que mostra que “uma conferência eclesial acaba sendo uma experiência subsidiária para o Ministério Episcopal, uma experiência subsidiária para o dinamismo hierárquico da Igreja, porque oferece condições de discernimento, que por si só, o dinamismo, a estrutura hierárquica não teria condições de fazê-loâ€, enfatiza o bispo. É por isso, que em palavras de dom Zenildo Lima, “a Conferência Eclesial da Amazônia oferece suporte para as conferências episcopais. Assim como a sinodalidade oferece suporte, elementos e ferramentas para a estrutura hierárquica da Igrejaâ€.

As igrejas crescem em caminhos de sinodalidade

Com relação à mensagem final do encontro, que valoriza “os passos dados na escuta, na articulação das dioceses, na revitalização dos conselhos, no planejamento pastoral, na formação teológica, espiritual, ministerial e pastoral, que busca responder aos sinais dos temposâ€, o bispo vê essa mensagem não como perspectivas e ideais, mas como “resultados de partilhas do que as igrejas locais trouxeram.†Ele vê esses elementos compartilhados como prova de que “as igrejas estão crescendo em caminho de sinodalidade, a partir das assembleias diocesanas, dos sínodos diocesanos. As igrejas da Amazônia estão revitalizando esses conselhos de participação, como já são previstos no Código do Direito Canônico, mas que também podem ganhar novos dinamismos com essa perspectiva sinodalâ€.

Um caminho que é fruto do fato de que “as igrejas da Amazônia têm se esforçado e têm conseguido algum êxito em rever, reconstruir processos formativos que levem em conta a dinâmica da sinodalidade. E as igrejas que estão na Amazônia têm percebido o quanto a reflexão sobre a sinodalidade aproxima a Igreja do seu papel e do seu compromisso com o horizonte do reino de Deus, que tem como pano de fundo toda a casa comum e, portanto, todo o comprometimento socioambientalâ€, reconhece o bispo. Ele disse que “o texto final, mais do que apontar e indicar metas, no fundo foi um reconhecimento de passos já experimentados em nossas igrejas. Foram frutos de partilhas cuja pergunta fundamental foi que processos sinodais foram inaugurados nas igrejas locaisâ€.

Autoritarismo e clericalismo

Pensando no futuro, em vista do avanço no caminho da sinodalidade, o bispo reconhece o desafio que surge diante das resistências que existem diante do processo de sinodalidade. Nessa perspectiva afirma que “nos preocupou que mesmo com esses avanços a gente tem ainda algumas atitudes permeadas por autoritarismo, embora a expressão mais utilizada na parte dos bispos tenha sido o clericalismoâ€, uma constante nos dez grupos de trabalho, dado que “todos trouxeram a questão do clericalismo e a necessidade de repensar caminhos de formação para os ministérios na Igreja, todos eles, que pudessem nos ajudar a superar essas tendências de clericalismo e de autoritarismo, e muito particularmente a questão também da formação presbiteralâ€.

Além da formação presbiteral, dom Zenildo Lima ressalta “outros elementos que diz respeito à abertura da Igreja para o cuidado com a casa comum, como horizonte de evangelização. Chamamos também a atenção para a necessidade de implementação de processos evangelizadores, processos missionários. Sempre tivemos muito presente que o que nós queremos com uma Igreja mais sinodal é uma missão que seja mais eficaz no anúncio da pessoa de Jesus Cristo, no anúncio do Reino de Deus e na força transformadora que o anúncio da pessoa de Jesus e do Reino tem para as realidades, como se costuma dizer, para os territórios que estão na Pan-Amazôniaâ€.

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28 agosto 2025, 12:42